Sociedade

Governador do RS e Roberta Coltro no programa Pampa Atualidades


roberta coltro eduardo leiteO programa Pampa Atualidades no dia 06/05/2020 fez uma entrevista ao vivo com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Um dos membros da bancada do programa, Roberta Coltro fez uma pergunta ao governador sobre como ele irá resolver o problema do desemprego e falência de empresas, bem como as restrições à liberdade por causa da quarentena forçada. 

O governador parece ter sido pego de calças curtas e partiu para ofensa chamando a comunicadora de ignorante. O episódio parece ter ganhado proporções maiores nas mídias sociais e sites de otícias e, como sempre, dividindo opiniões. Sim, a sociedade está dividida e isso é um fato. 

O programa é exibido na TV Pampa, sendo aparentemente restrito ao Estado do Rio Grande do Sul.

Eu não costumo assistir TV porque considero que tudo (tudo mesmo) que é mostrado é distorcido, servindo apenas para desinformar e/ou condicionar o pensamento de manada. Mas como minha esposa assiste (ainda) alguns programas de TV, sendo este um deles, eu acabo assistindo junto alguns trechos.

Pelas poucas vezes que assiti a partes do programa, percebi que a Roberta Coltro, que fez a pergunta ao governador, é um dos componentes da bancada que parece mais desprendida do sistema. Isso me faz pensar se ela se controla para não falar certas coisas ou se ela está em um processo de despertar para entender como o mundo funciona de fato. 

Roberta em sua pergunta ao governador, conseguiu desestabilizá-lo em uma entrevista ao vivo. Digo isso porque o governador Eduardo Leite partiu para ofensas à moça, a chamando de ignorante, mesmo sabendo que os questionamentos dela são bastante relevantes na atual situação que estamos vivendo. A estabilidade da economia é tão ou mais importante para a vida das pessoas do que o mal que veio da China. 

O governador defende muito que suas decisões são baseadas na ciência. Mas nem todos os cientistas concordam com o isolamento e fechamento de empresas. Você pode ler a opinião de doze cientistas contrários à opinião da OMS aqui.

A pergunta da Roberta sobre como o governador vai resolver a questão do fechamento de empresas e o desemprego em larga escala é muito relevante e, como todo político, ele não respondeu. Resolveu partir para ofensas.

Nas mídias sociais há muitas pessoas que defendem a quarenta e, neste episódio, muitos saíram em defesa do governador, sob o argumento de que de nada adianta afrouxar a quarentena para que mais pessoas sejam mortas pelo mal vindo da China. Este tipo de discussão na internet não tem fim. É como um cachorro correndo atrás do próprio rabo. 

 

Impedir empresas de funcionarem pode reduzir o número de mortes?

Para quem acha que a economia é menos importante para a saúde, defendendo o discurso de que "falido se recupera", lamento dizer que isso não é bem assim. E esse é um ponto em que dou razão à Roberta Coltro. 

O trecho a seguir vém do site da Agência Brasil:

 

As micro e pequenas empresas representam, no Brasil, 99,1% do total registrado, segundo o Sebrae. São mais de 12 milhões de negócios, dos quais 8,3 milhões são microempreendedores individuais (MEI). Os pequenos negócios também respondem por 52,2% dos empregos gerados pelas empresas no país.

 

Diferente das grandes corporações, estas pequenas empresas não possuem capital suficiente para sobreviverem à um mês sem funcionar. Estas empresas estão sendo exterminadas pelas restrições impostas pelos governadores em vários estados do país. Os governadores afirmam que o sistema de saúde pode colapsar. Mas a bem da verdade, o sistema de saúde no Brasil sempre foi precário. Nunca deixamos de ver pessoas doentes acumuladas em corredores e até deitadas no chão. Quantas vezes pessoas morrem esperando por uma cirurgia ou tratamanto? Mas parece que hoje as pessoas estão morrendo apenas pelo mal vindo da China.

O dinheiro é necessário para manter o sistema de saúde funcionando, mesmo que precariamente. E para isso, é necessário manter a economia funcionando. Afinal, como se costuma dizer, "não existe almoço grátis".

Se as pequenas empresas são responsáveis por mais de 50% dos empregos no país, imaginem ter um número equivalente de desempregados? Como estas pessoas vão sobreviver? Isso deveria ser levado em conta pelos governantes ao impor uma quarentena forçada.

O governador Eduardo Leite (e outros governadores) deveriam levar em conta dois modelos para as suas tomadas de decisão:

a) Quarentena forçada com estrições ao funcionamento de empresas;

b) Isolamento vertical, com cuidados especiais para os grupos de risco;

A matéria publicada no UOL no dia 21/04/2020 diz:

 

A crise do coronavírus poderá jogar mais de 265 milhões de pessoas para uma situação de fome. O alerta está sendo publicado nesta terça-feira pela ONU e pela FAO, num informe sobre a desnutrição no mundo em 2019 e as projeções para 2020.

 

Considerando que a quebra da economia levará milhares de pessoas à miséria, queda na arrecadação do Estado e aumento exponecial da violência, fica a pergunta: qual destes modelos irá matar mais pessoas? Falar em isolamento social para "salvar vidas" é fácil para quem tem uma boa reserva financeira. 

Ao governador Eduardo Leite, que chama de ignorante quem está preocupado com a crise econômica e desemprego, faço um questionamento: minha mãe de 82 anos é professora aposentada do Estado do RS, com um salário de R$ 1.500,00 pagos com atraso todos os meses. Ela sofre de alzheimer e está internada em uma clínica que proporciona a ela uma ótima qualidade de vida. O que ela ganha não paga todas as despesas e todos os meses tiro boa parte do meu salário para cobrir o restante da mensalidade da clínica além da medicação que ela utiliza mensalmente. Tenho uma esposa (atualmente desempregada) e filho. Ainda tenho sorte de estar empregado, mas com risco de ser demitido a qualquer instante. O dinheiro que entra na família mal cobre as despesas do mês.

O fechamento de empresas e restrições ao funcionamento certamente levarão à uma depressão na economia e por consequência a queda na arrecadação. Eu diria que o risco de minha mãe ficar sem receber sua aposentadoria é grande. Então, senhor Eduardo Leite, o que acontecerá com inúmeras pessoas que estão em situação semelhante ou pior do que a da minha mãe? Qual a sua solução dentro deste modelo de quarentena forçada que você tanto defende?

Saiba, senhor governador, que as pessoas não estão morrendo apenas do mal vindo da China. As outras doenças não deixaram de existir. As pessoas precisam ter recursos para comprar remédios e alimentos, o que será impossível diante de um quadro de depressão na economia. Muito mais pessoas irão morrer.

Para finalizar, eu lamento muito o posicionamento da âncora do programa Pampa Atualidades, Sra. Magda Beatriz, falando que a bancada não compactuava com a opinião da Roberta, sem ao menos dar a ela um espaço para resposta. Certamente foi orientada pela produção do programa a agir daquela forma, pois tudo o que é contra a narrativa do governo ou da grande mídia precisa ser censurado.

Parabéns à Roberta pela coragem e ousadia em questionar o governador. 

 

Édson de Oliveira

 

Para conquistar um mundo de covardes e pessoas que não gostam de pensar, basta remover a resistência.

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